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segunda-feira, 30 de junho de 2014

Campos de Futebol

 blog do jornal Folha do Iguassú
Campos de Futebol 
"A especulação Imobiliária e o descaso dos políticos, que não estão nem aí para o desaparecimento dos campinhos de futebol em nosso país, contribui para a perspectiva da perda da hegemonia do Futebol Brasileiro"

Olha gente, cada dia que passa nossos campos de futebol desaparecem.  Não me refiro aos existentes no interior de pequenos ou grandes estádios, onde ocorrem competições. Falo dos campos precários, antes encontrados em grande número nas periferias, hoje raridade. Na verdade são espaços geográfico, onde os eventos muito tem a ver com a cultura de nosso povo, e de nossa história!


Eram, de modo geral, quadriláteros sem medidas certas, sem cercas, esburacados, e, geralmente, com o ‘gramado’(quando tinha!) constituído pelas mais variadas espécies de capim encontrado, de modo geral, apenas, em determinados setores de seu retângulo, onde os aparadores de grama eletro/mecânico eram substituídos por bois, cabras e cavalos que, além de prestarem o inestimável serviço de apararem a grama, os adubavam com suas excreções, durante a pastagem que coincidia com os momentos de ausência das peladas e bate-bola.  Balizas? Nem todos tinham, e, quando as tinham, muitas vezes, eram improvisadas com galhos de árvores de simetria irregular, varas de bambu, ou simplesmente dois tijolos. Há cerca de 25/30 anos atrás, ainda, existiam dezenas desses, nos bairros periféricos, que eram verdadeiros ‘canteiros', onde brotavam os craques. Foram em campos assim, agora em extinção, que surgiram campeões mundiais como: Pelé, Rivelino, Zico, Dida, Garrincha, Romário, os Ronaldinhos, Bebeto e inúmeros outros... que nos deram cinco títulos!

Tais desaparecimentos começam a comprometer o nível técnico do futebol brasileiro. Se compararmos o patamar de superioridade entre nosso futebol e a maioria dos adversários no passado, com a verificada nos dias atuais,  vamos concluir que nossos craques já não são tão bons como antes!  

O Brasil, mesmo sob críticas de muitos e denúncias de corrupção, fez e restaurou grandiosas ‘arenas’ com magníficos gramados, no centro de verdadeiros monumentos de concreto, para a Copa do Mundo de Futebol que por hora acontece em seu solo, mas já há algum tempo se esqueceu dos pequenos campos que sempre foram seus 'canteiros', onde 'germinaram' craques que assombraram o ’mundo’ pela genialidade. Se os suntuosos estádios são considerados vitrines para grandes jogadores, os chamados 'Campos de Várzea' são 'fabricas'. Infelizmente estes ‘viveiros’ estão desaparecendo  sem que ninguém tome providencias.


Tenho um amigo nascido e criado em Miguel Couto que foi craque do Futebol Iguaçuano em seus áureos tempos, que me informou que em seu bairro existia, quando da época de sua infância, cerca de quinze campos, fora os terrenos baldios. A maioria, completamente disformes. Tinha um, inclusive, no qual haviam dois postes da Light dentro do quadrilátero bem próximo de uma de suas linhas laterais, que, todavia, servia pra criar jogadores de grande habilidade(Campo do São Jorge). Hoje, segundo meu amigo, não tem mais nenhum. Todos deram lugar à especulação imobiliária. Com o desaparecimento dos campos, o Brasil que conseguiu o maior número de títulos de campeão mundial no planeta, a cada dia que passa fica mais fadado a perder essa hegemonia construída, com os 'frutos' gerados naqueles espaços, onde devido aos obstáculos encontrados, se aprendia a tratar (domar, seria o termo certo) a bola com muito mais perícia.

Quando acontece eventos internacionais como o que acaba de acontecer no Brasil - Copa do Mundo - as autoridades políticas, diante da expectativa de sermos novamente campeões do Mundo, se colocam, de ante mão, na condição de responsáveis pelo sucesso de nossa seleção, mais pelos dividendos políticos que isso possa gerar, do que, propriamente, por paixão pelo futebol Brasileiro, conforme tentam dar a entender. Agora pergunto! O que foi que fizeram para que acontecesse o que todos nós esperávamos, porém não aconteceu (o hexa campeonato)? Eu respondo - nada! E olha que poderiam fazer muito! 

Bem que as Câmaras Municipais, Estaduais e Federais podiam fazer projetos que obrigassem os bairro e loteamentos novos a terem um campo de futebol, por determinada medida de área! Tal atitude poderia ajudar o Brasil responder à ascensão de outras nações que à cada dia se tornam adversário mais difíceis de vencê-los. E, ainda, as prefeituras a contratar professores formados na ABTF (Associação Brasileira dos Treinadores de Futebol), onde meu amigo se especializou, para formar escolas de futebol (não apenas futebol – outros esportes, também) nos bairros.


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