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quarta-feira, 13 de abril de 2016

A SINA DO CASARÃO DA FAZENDA SÃO BERNARDINO

Por: Wandemberg
A SINA DO CASARÃO DA FAZENDA SÃO BERNARDINO 
 'Pobre' Casarão da Fazenda São Bernardino, que mal se aguenta em pé. Outrora, palacete neo-clássico, feito a 'peso de ouro', com grande parte de material utilizado em sua construção, vindo da Europa, hoje, em deplorável estado de ruína, provocada pelo vandalismo de gente que não conseguiu entender o significado histórico de uma época, da qual o imóvel é a principal referência. Não tivessem imbecis se apropriado dele, em nome da historia e da cultura, poderia estar pomposo na condição de "Museu", como o de Petrópolis e outros mais que existem espalhados pelas cidades do País, relatando em cada tijolo, em cada utensílio, em cada nicho, a belíssima história, recheada de personagens e fatos da região em que vivemos - "Baixada Fluminense". 
 Enquanto propriedade particular, sobreviveu com suas salas suntuosas, móveis e utensílios. Após seu 'tombamento', saiu da pujança para ser atirado, irresponsavelmente, à agonia do aniquilamento prematuro.
 A Propriedade surgiu na segunda metade do século XIX, após Bernardino José de Souza e Mello, comprar o Sítio Bananal, anexado pouco tempo depois ao - Sítio Cachimbau - até então de propriedade de seu sogro Francisco José Soares, que o comprara por três contos de réis. Da fusão dos dois sítios e mais uma ou outra propriedade adquirida, nasceu a lendária Fazenda São Bernardino. 
 Sobre ele, o casarão da Fazenda, há muito o que se falar. Dizem até que, quando visitou a então Vila de Iguassú, D. Pedro II se hospedou em suas dependências. 
 Um historiador que residia em Vila de Cava (já falecido)- Luiz da Cadeira de Rodas - 'foi mais longe'. Em 'freelance', me enviou matéria, que publiquei no então "Tribuna de Miguel Couto" (precursor do Folha do Iguassu, editado nos anos 90), afirmando, categoricamente, que o Casarão era uma dependência da "Maçonaria", e  que teria sido ali que o Imperador  Dom Pedro II houvera colado grau '33', o grau mais alto da "Loja". Garantia, ainda, que na casa existia(existe) um andar térreo e que a área lateral à esquerda, onde tem uma rua, que vai ter no bairro Barão do Guandu, bem como seu quintal de frente, são aterros. Segundo o historiador, ao lado direito do Casarão a brusca intersecção denuncia o álibi usado para iludir aos observadores. Assim sendo a casa não foi construída em um outeiro e sim numa planície. Quer isso dizer que na opinião do Luiz da Cadeira de Rodas: O prédio tinha (tem) três andares, sendo o primeiro deles embaixo do aterro (térreo), onde havia, dissimulada, a sala secreta de reuniões da Maçonaria. Essa premissa, todavia, não teve a anuência de outros historiadores, como o saudoso Ney Alberto, por exemplo.   
 Mas, Luiz da Cadeira de Rodas, tinha linha de raciocínio diferente de Ney Alberto. Em sua convicção, lembrava o fato de que quando a casa fora inaugurada, em 1875, a Cidade tinha um aspecto bucólico, em face da Cólera Mórbus e da Malária se alastrar, a ponto de ceifar as vidas de centenas de pessoas, o que causou uma fuga em massa para outros arraiais e Freguesias, como Maxambomba, Santana das Palmeiras e outros... "Com qual finalidade ir-se-ia inaugurar uma casa tão deslumbrante, num local, quase que completamente abandonado pela população?". Indagava o historiador.  
 No final dos anos 80, um incêndio tido por muitos como criminoso, destruiu, mais de 85% da casa, causando grande decepção aos intelectuais de Nova Iguaçu e adjacências. Outro revés importante do qual a São Bernardino foi vítima, se deu no Governo do Lindberg Farias. O prefeito cercou o Casarão com telhas metálicas; colocou uma placa que dizia mais ou menos assim: Obras de restauração do Casarão da Fazenda São Bernardino - orçamento: 571.000 REAIS - Empresa CONCREJATO. Recurso advindo do IPHAN. Pois bem! Se o prefeito pagou essa quantia pelo trabalho que foi feito, ele foi roubado. Por que, quando a obra foi dada como pronta, o que se viu foi umas três ou quatro vigas inseridas em paredes. Um piso de madeira de Lei numa sala sem teto(completamente exposto ao tempo); janelas e nichos, fechados com tijolo furado, totalmente diferente do original (maciço) e, praticamente mais nada. Não creio que o trabalho executado pela CONCREJATO, valesse mais de 50 mil reais. Há época fiz uma reportagem protestando, e dentre os que me acompanharam nessa empreitada, estava Durval Goulart, que de pronto fez missiva para o IPHAN (Instituto histórico) que houvera remetido verba para a obra, todavia, a instituição, sugeriu que Durval aguardasse. Resultado: Durval está aguardando até hoje!   
 Por último, a coisa de uma semana atrás, um caminhão e uma escavadeira, com o emblema da CEDAE, derrubaram parte de um muro da ruína, para pegar entulho, para aterrar não se sabe o quê! O que se sabe é que o tempo passa e os imbecis continuam soltos, por aí!!! 


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2 comentários:

Cristina Oliveira disse...

Fiquei muito triste quando soube desse ocorrido,a baixada já tem tão pouca história preservada e ainda destroem o pouco que temos...

Braway Tour disse...

Talvez, nem tudo estar perdido.